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A Última Noite do Sr. Vicente"

  • 27 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 2 dias


Capítulo 2




Mulher sentada em uma cadeira com um homem sentado à mesa em um ambiente de biblioteca.



O depoimento de Isadora



 

A biblioteca da mansão era um ambiente opulento e silencioso, contrastando fortemente com a agitação que havia tomado conta do resto da casa.  Isadora sentou-se em uma poltrona de couro macio, o cheiro antigo de livros e madeira nobre preenchendo o ar.  O detetive Pedro, sentado em frente a uma mesa de mogno imponente, abriu seu bloco de notas.

 

— Senhorita Isadora, agradeço mais uma vez sua colaboração.  Vamos retomar o ocorrido na noite do assassinato.  Você disse que foi a última pessoa a ver o Sr. Vicente com vida.  Descreva, por favor, o encontro de vocês com detalhes.

 

Isadora respirou fundo, tentando conter a tremedeira em suas mãos.

 

— Eu estava terminando meu turno, como sempre.  Eram por volta das 22h.  Encontrei o Sr. Vicente na entrada principal, ele estava saindo.  Estava um pouco frio, e ele usava um casaco escuro.  Lembro que ele estava com uma pasta marrom na mão.

 

— E o que vocês conversaram?

 

— Trocamos apenas algumas palavras sobre o tempo.  Ele comentou sobre a previsão de chuva para o dia seguinte, e eu disse que esperava que não chovesse muito, pois precisava ir ao mercado.  Ele sorriu, desejou uma boa noite e saiu.

 

— Ele parecia preocupado ou alterado?

 

— Não, detetive.  Ele estava tranquilo, como sempre.  Seu semblante era normal, sem nada de anormal.  Pelo menos, nada que eu tenha percebido.

 

— Você observou algo incomum na mansão antes de sair?  Alguma pessoa suspeita, alguma movimentação estranha?

 

— Nada que me chamasse a atenção, detetive.  A mansão estava silenciosa, como de costume àquela hora da noite.  Apenas o silêncio normal da noite.

 

— Você se lembra se havia algum carro estacionado na entrada além do seu?

 

— Não, detetive.  Eu estava focada em encontrar minhas chaves e me despedir do Sr. Vicente.  Não prestei atenção em outros carros.

 

— E depois de se despedir do Sr. Vicente, o que você fez?

 

— Fui diretamente para o meu carro.  Entrei, tranquei as portas e dirigi para casa.  A viagem é curta, cerca de quinze minutos.

 

— Você se lembra de ter visto alguém seguindo você ou algum carro suspeito próximo à mansão?

 

— Não, detetive.  Eu estava preocupada em chegar em casa, estava cansada.  Não prestei atenção a detalhes.

 

— Ao chegar em casa, você fez algo incomum?

 

— Não, detetive.  Apenas jantei, assisti um pouco de televisão e fui dormir.  Nada de incomum.

 

Pedro fez uma pausa, anotando em seu bloco.

 

— Senhorita Isadora, você mencionou uma pasta marrom nas mãos do Sr. Vicente.  Você se lembra de algum detalhe sobre ela?  Tamanho, material, algo que pudesse te chamar a atenção?

 

— Era uma pasta de couro, de tamanho médio, um pouco gasta.  Nada de especial, pelo menos não me pareceu nada de especial.

 

— Entendo.  E sobre o Sr. Vicente, você o conhecia bem?  Ele tinha inimigos?  Alguém que pudesse querer lhe fazer mal?

 

— Conhecia-o superficialmente, detetive.  Era um bom patrão, sempre gentil e respeitoso...  Nunca ouvi falar de inimigos.  Não sei de nada.

 

— Senhorita Isadora, agradeço sua sinceridade e colaboração.  Seu depoimento é muito importante para a investigação.  Vamos manter contato.  Se lembrar de mais algum detalhe, por favor, nos informe imediatamente.

 

Isadora assentiu, sentindo-se exausta, mas também um pouco mais aliviada.  Contar tudo, reviver a noite do assassinato, havia sido doloroso, mas também necessário.  A verdade sobre a morte de Sr. Vicente ainda estava escondida, mas ela esperava que, a ajuda do detetive Pedro, ela pudesse ser revelada em breve.  A sombra da tragédia pairava sobre a mansão, mas também sobre a vida de Isadora, e ela ansiava pelo dia em que a justiça pudesse ser feita.


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